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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Vencendo o desânimo

A indução ao desânimo em nossos dias é proposital. A venda do caos, da desordem, do medo, gera uma indústria paralela fortíssima. Indústria que ganha em cima de nossos medos, receios e ansiedades. Mas tais eventos são por vezes mal analisados, pois o estilo de vida que a maior parte da população consome é industrializado pela mídia, e o que a mesma diz está "certo" ou é uma verdade inquestionável, inda que construída sob moldes específicos para convencimento do público.

A indústria do desânimo nos intui a uma realidade triste, em que as forças desvanecem perante os tristes diagnósticos sociais lidos nos jornais, meios de comunicação, especialistas... e por tais eventos prosseguirem a pior, as expectativas costumam não ser das melhores. Das pessoas que convivem conosco a desconhecidos, o diagnóstico é bem parecido - as coisas não estão indo bem.

É apenas um dos fatos que compõem o desânimo. Não citei o desemprego, um possível retorno da inflação, as epidemias, eventos de ordem sísmica, bélica, entre outras citáveis e todos conhecem. Porém este dia você verá que é importante fazer como José Carlos Pace. Corredor de Fórmula 1 e brasileiro, foi apelidado de "moco". E isto porque se fazia de surdo, ouvindo apenas o que lhe interessava. Há vezes que temos de nos fazer de surdos em determinadas ocasiões. Por ouvir vozes que incidem o ânimo para baixo, o clima atual das metrópoles a pequenas cidades é o pior possível. Afinal o desânimo é contagiante.

Por este motivo, quero explorar um fato histórico que ocorreu há muitos anos atrás, e tem dois homens como protagonistas. Estes homens compuseram uma equipe de doze pessoas, que foram para uma terra desconhecida. Terra bem falada e que todos queriam morar, porém continha desafios. Não eram pequenos - indivíduos enormes, os conhecidos gigantes; bem armados, cidades bem aparelhadas, motivos estes que incentivaram dez daqueles homens a falarem mal da terra, dizerem coisas impróprias a respeito da mesma. Os dois homens - Josué e Calebe - foram os únicos identificados. Rápida moral da história - os covardes não são lembrados, apenas os corajosos e animados são laureados com uma glória imperecível.


Outro exemplo de como se age em momentos que nossa coragem é posta a prova - Saul foi desprezado por ser da tribo de Benjamim. Quando Saul foi recepcionado como rei, alguns agiram de forma indevida. Leiamos:

 Mas os filhos de Belial disseram: É este o que nos há de livrar? e o desprezaram, e não lhe trouxeram presentes; Porém ele se fez como surdo." (1 Sm 10.27)

Quando ocorreu um combate e a valentia de Saul foi posta a prova, o mesmo venceu a batalha e provou ser um homem de coragem, então o papo mudou:

"Então disse o povo a Samuel: quem é aquele que dizia que Saul não reinaria sobre nós? dai-nos aqueles homens e os mataremos. Porém Saul disse: hoje não morrerá nenhum, pois hoje tem feito o Senhor um livramento em Israel." (1 Sm 11.12,13.).

E assim Saul venceu outras ainda. Conforme conhecemos bem, teve um reinado conturbado, mas a razão principal de sua queda foi ter ouvido um oráculo falso, de um vulto ao qual considerou Samuel, a partir de uma invocação demoníaca. Ao invocar um espírito da necromante, eis o resultado:


Disse Samuel: "Por que você me chamou, já que o Senhor se afastou de você e se tornou seu inimigo?
O Senhor fez o que predisse por meu intermédio: rasgou de suas mãos o reino e o deu a seu próximo, a Davi.
Porque você não obedeceu ao Senhor nem executou a grande ira dele contra os amalequitas, ele lhe faz isso hoje.
O Senhor entregará você e o povo de Israel nas mãos dos filisteus, e amanhã você e seus filhos estarão comigo. O Senhor também entregará o exército de Israel nas mãos dos filisteus".1 Samuel 28:16-19

E perguntas - "o que tem a ver?" E respondo - o inimigo jamais irá trazer recados verdadeiros ou com a finalidade de trazer vitórias. Há uma flagrante contradição na "profecia", pois não morreram todos os filhos de Saul – este tinha seis filhos e três deles sobreviveram. Morreram na batalha Jônatas, Abinadabe e Malquisua (2 Samuel 31:8-10; 21:8). Esses fatos tornam essa profecia uma flagrante contradição com o testemunho divino a respeito de Samuel, pois está escrito que “o Senhor era com ele, e nenhuma das sua palavras deixou cair em terra” (1 Samuel 3:19).

Viram como uma palavra de desânimo pode ser a responsável por uma perda de batalha?  Por este motivo, é importante que venhamos a pensar positivo, que abandonemos os diagnósticos ruins. Se tudo a nossa volta traz os piores resultados, pensemos nos melhores! A palavra de Deus nos traz ânimo e vigor todos os dias.

Calebe e Josué não puderam lutar naquela batalha em específico, pois seus companheiros deixaram Deus irado com suas observações melífluas a respeito da terra, e por este motivo foram castigados por Deus e por terem contaminado o povo, vagaram mais 40 anos pelo deserto. Quando murmuramos contra Deus por conta de ouvirmos pessoas inadequadas, somos atormentados com provas e tristezas. Mais tarde porém, Josué e Calebe venceram muitas guerras e entre os homens de sua geração, foram os únicos a entrar na terra prometida. Por este motivo vale a pena ter ânimo, confiar em Deus e dar as costas para as palavras ruins, para as palavras que nos lançam para a derrota! 

Afim de cuidar que fujamos do desânimo, vale a pena conferir os tópicos abaixo:

Meios de desânimo - Mídia

Somos influenciados por uma série de estímulos. Interessante observamos muitas músicas que tocam nas rádios seculares falarem de traições, de prostituição, entre outras mazelas e não é preciso um binóculo para vermos a flagrante decadência moral dos brasileiros. Das novelas nem precisamos falar, não é mesmo? E os programas televisivos que exploram a violência, que mostram tragédias na maior parte de sua programação? 

Penso que devem ser evitados, pois há coisas que atraem o mal. Busco evitar atualmente qualquer canção que intua para a tristeza, desânimo, sentimento de perda, entre outros sentimentos correlatos. Já ouviram uma marcha militar, o ritmo dos instrumentos? São para encorajar. E se os soldados ouvissem uma canção "de corno", será que conseguiriam ânimo para lutar? Fica a dica!


Meios de desânimo - Pessoas

Há pessoas que carregam consigo um ente ruim. Só fala em desgraça, e por este motivo tal ingrediente o acompanha intimamente. Se você descuidar e ficar mesmo ao lado, pode ser a próxima vítima. Por este motivo, peço sempre a Deus que me proteja e na maior parte das vezes, peço a pessoa que se cale e fale menos. Isto porque as palavras possuem um poder de atração imensurável:

"Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia. É um mal que não se pode refrear; está cheia de peçonha mortal" (Tiago 3:5 e 8)

Antes cometia o erro de falar por esporte, mas meditando na palavra de Deus, vejo que não perdemos muito em ficarmos mais caladinhos. Se for para falar, que falemos bênçãos e em coisas alegres. Maldizer, nem pensar - deixe este esporte para os perdedores. Já vistes como as pessoas mais para baixo possuem o hábito de maldizer?

Meios de desânimo - Vida de pecado

William Bridge, um pastor Puritano do século XVII, escreveu uma obra com o propósito de encorajar quem está sob desânimo e depressão.  Nesta obra ele fala, em um dos capítulos, sobre o desânimo na luta contra o pecado.
Uma das razões que ele dá para não ficar desanimado nesta luta contra o pecado, é que o próprio desânimo é um pecado contra o evangelho. A pessoa pergunta: “Eu não deveria estar desanimado e ser desencorajado por causa de tal pecado?” – Bridge responde: “Não, pois o desânimo em si é um pecado, um outro pecado adicionado, um pecado contra o evangelho”. O grande problema com o desânimo aqui, é que ele duvida do poder do evangelho. O desânimo aqui evidencia que se acredita que o poder do pecado é maior do que o poder do evangelho. Poder não só para perdoar e purificar, como também de livrar da tirania do pecado, vivendo uma vida vitoriosa sobre ele, de obediência aprazível a Deus.


Conclusão

Para termos uma vida vitoriosa, é mister que venhamos a confiar que o mesmo Deus que nos concedeu os desafios, deu a nós a capacidade de vencê-los - e não ficarmos estacionados frente ao desafio, como fizeram os israelitas em frente a Davi, tendo vindo um menino com pouca estatura, mas muita coragem. Assim devemos contemplar nossos desafios. Somos limitados, mas a fé remove nossas limitações, tornando-nos fortes e vencedores em Cristo. 

Até a próxima, Paz e Graça!

Roque de S. Braga
       Teólogo



Fonte - http://www.cacp.org.br/a-feiticeira-de-en-dor/ - como vista em 13/09/2014